TJSP suspende levantamento suspeito de R$ 14 milhões

Em liminar proferida no plantão judicial, no domingo, 20.12.2015, o Desembargador SÉRGIO SHIMURA, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, determinou, ao apreciar uma reclamação, o imediato recolhimento de ofícios expedidos pela Juíza da 44ª. Vara Cível do Foro Central de São Paulo e impedir a liberação de qualquer valor a favor de empresas do GRUPO BUENO NETTO, de construção civil, da família BUENO NETTO, cuja patriarca é Adalberto Bueno Netto e tem seus filhos, Carlos Alberto Bueno Netto e Guilherme Bueno Netto, como principais administradores.

Segundo a decisão do Desembargador SÉRGIO SHIMURA: “consta da presente reclamação que o descumprimento da ordem consiste na liberação de R$ 14 milhões em dinheiro, em favor de organização criminosa, em desrespeito às decisões proferidas pelos eminentes Desembargadores Helio Marques de Faria (proferida no Plantão Judiciário em 13/12/2015) e Fortes Barbosa (proferida em sede de ação cautelar de arresto de 18/12/2015, sexta feira).”

Conforme o Desembargador SÉRGIO SHIMURA, o pedido deve ser deferido, pois, na esteira da decisão descumprida do Desembargador FORTES BARBOSA, a providência de liberação dos recursos ordenada pela Juíza de Primeiro Grau já apresentava inegável gravidade mesmo antes da determinação expressa pela suspensão da liberação proferida pelo Tribunal de Justiça.”

No dia 17.12.2015, o Desembargador Relator SALLES ROSSI, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, autorizou a tramitação de representação criminal que apura o mesmo caso.

Segundoo Procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo NELSON GONZAGA DE OLIVEIRA: “A notícia crime dá conta que a empresa BNE Administração de Imóveis S/A, bem assim seus sócios e, principalmente, o Dr. Ricardo Salles, Advogado por ela contratado para livrar bens e ativos de constrições judiciais e de obrigações contratuais, passaram a adotar expedientes fraudulentos de várias matizes, com atuações em vários flancos visando atingir seus objetivos, com isso, causando prejuízos à empresa SPPATRIM e demais pessoas físicas e jurídicas adquirentes de imóveis da BNE. Dentre os expedientes ilícitos, porém, segundo a representação, o grupo, através do advogado Ricardo Salles (...) Os documentos demonstram, ainda, que várias ações judiciais em face da BNE têm sido julgadas procedentes, o que confere certa consistência ao que seria um plano para evitar uma derrocada maior ao grupo (...) verifica-se a necessidade de prosseguimento das investigações no âmbito deste Egrégio Tribunal, especialmente para apuração do que poderia ser delineado como possíveis práticas de condutas criminais.”

O pivô do caso seria o advogado RICARDO DE AQUINO SALLES, ex-Secretário Pessoal do Governador Geraldo Alckmin e que foi contrato pelo GRUPO BUENO NETTO para trabalhar exclusivamente nos bastidores de processos envolvendo a sociedade SPPATRIM Administração e Participações Ltda, para quem o GRUPO BUENO NETTO deve mais de R$ 170 milhões.

Descrição: Ricardo Salles

 

O advogado RICARDO DE AQUINO SALLES trabalhava como secretário pessoal do Governador Geraldo Alckmin, com proventos bastante limitados e declarou, à Justiça Eleitoral, aos 35 anos de idade, patrimônio, na época, de R$ 3 milhões.

Em seu FACEBOOK, há fotos de uma vida de luxo, onde teria um barco no Iate Clube de Ilha Bela e fotos de viagens luxuosas pelo mundo.

A Revista VEJA acusa RICARDO SALLES de ser beneficiário de doações de campanha de empresas envolvidas em “máfias” e, segundo o TSE, arrecadou R$ 1 milhão  em doações, a valor histórico, para sua campanha a deputado estadual em 2010, sem ter qualquer tradição política.

Sustenta seu elevado padrão de vida da advocacia, mas a última ação que ajuizou foi em 2012.

 

 

Assessoria.